Estourei o limite do MEI. E agora?
Passou dos R$ 81 mil? Calma — o que acontece depende de quanto passou. O que fazer (e por que segurar nota é a pior ideia).
Primeiro: parabéns. Estourar o limite do MEI significa que o negócio cresceu. Agora, rápido, porque as decisões dos próximos dias mudam o tamanho da conta.
As duas situações possíveis
O limite do MEI é R$ 81 mil por ano (proporcional no ano de abertura). Passou? O que importa é quanto:
1. Excedeu em até 20% (até R$ 97.200): você permanece MEI até dezembro, paga um DAS complementar sobre o excedente e, a partir de 1º de janeiro, é desenquadrado e passa a recolher como ME no Simples Nacional. Transição organizada, sem sustos.
2. Excedeu mais de 20% (acima de R$ 97.200): o desenquadramento é retroativo a 1º de janeiro do próprio ano — a empresa recalcula os impostos do ano inteiro como ME, com acréscimos. É a situação cara, e é ela que exige agir no momento em que você percebe que vai estourar, não depois.
Em ambos os casos é preciso comunicar o desenquadramento no portal do Simples — ele não é automático no momento do estouro, e atraso só piora.
A pior estratégia: "segurar nota"
Todo ano vemos isso: novembro chega, o MEI está perto do limite e para de emitir nota — ou pede para o cliente "pagar em janeiro", ou recebe sem nota. Três problemas:
- Receita sem nota continua sendo receita tributável — e cruzamentos de cartão, PIX e notas de clientes PJ entregam o jogo.
- Você trava o crescimento do negócio para caber num limite que já ficou pequeno.
- A economia é ilusória: como mostramos no artigo sobre Fator R, uma ME bem estruturada no Anexo III paga ~6% — o "medo" de sair do MEI costuma custar mais que a saída.
Como é a vida depois do MEI
- Imposto vira percentual do faturamento (guia DAS do Simples), não mais valor fixo;
- Contabilidade passa a ser obrigatória — e passa a ser sua aliada de gestão, não só uma guia;
- Você pode ter mais de um funcionário, sócios e faturamento até R$ 4,8 milhões;
- Emissão de notas e certidões que destravam clientes maiores (muita empresa não contrata MEI).
O timing ideal
O melhor desenquadramento é o planejado: percebeu que a média mensal aponta para o estouro, já se estrutura antes — define pró-labore, calibra o Fator R e faz a transição no papel certo. Quem chega ao escritório em outubro resolve tranquilo; quem chega em março do ano seguinte paga a diferença com juros.
Está perto do limite (ou já passou)? Traga seu faturamento do ano — em uma conversa a gente te diz exatamente em qual cenário você está e o plano de transição. Fale com o Saulo.
Limites vigentes na data de publicação.
Contador (CRC MG 132125/O), à frente do escritório desde 2015 em Uberlândia. Especialista em prestadores de serviço e pequenas empresas. Conheça a trajetória.
Esse é o seu caso?
Cada situação tem detalhes que mudam a resposta. A primeira conversa é sem compromisso.
