Fator R: o cálculo que decide se você paga 6% ou 15,5% no Simples
Prestadores de serviço podem cair no Anexo III ou V do Simples Nacional — e a diferença é mais que o dobro de imposto. Entenda o Fator R.
Se você presta serviços e está no Simples Nacional, existe um número que vale dinheiro todo mês e quase ninguém acompanha: o Fator R. Ele decide se a sua atividade é tributada pelo Anexo III (a partir de ~6%) ou pelo Anexo V (a partir de ~15,5%). Mesma empresa, mesmo faturamento — imposto mais que dobrado dependendo de um cálculo.
O que é o Fator R
É a razão entre a folha de pagamento (incluindo pró-labore e encargos) dos últimos 12 meses e a receita bruta do mesmo período:
Fator R = Folha (12m) ÷ Receita bruta (12m)
- ≥ 28% → a atividade vai para o Anexo III (alíquotas menores)
- < 28% → vai para o Anexo V (alíquotas maiores)
Isso vale para as atividades sujeitas à regra — fisioterapia, psicologia, engenharia, arquitetura, consultoria, academias, clínicas, medicina, odontologia e muitas outras da área intelectual/técnica.
Um exemplo direto
Empresa faturando R$ 20 mil/mês (R$ 240 mil/ano):
- Sem gestão do Fator R (pró-labore mínimo, folha de R$ 30 mil/ano → Fator R 12,5%): Anexo V, ~15,5% → ~R$ 3.100/mês de Simples.
- Com gestão (pró-labore ajustado para folha de ~R$ 67 mil/ano → Fator R 28%): Anexo III, ~6% → ~R$ 1.200/mês, mais o INSS adicional do pró-labore maior (~R$ 400–600).
Resultado líquido: economia na casa de R$ 1.300–1.500 por mês — R$ 16 mil+ por ano — apenas calibrando como o sócio se remunera. É o caso clássico em que "pagar mais INSS" significa pagar muito menos imposto total (e ainda melhora a base previdenciária).
Os erros que vemos com frequência
- Pró-labore no mínimo "para economizar" — sem ninguém refazer a conta do Fator R. A economia de INSS vira prejuízo multiplicado no DAS.
- Fator R calculado uma vez e esquecido. Ele é móvel: acompanha 12 meses deslizantes. Cresceu o faturamento e a folha ficou parada? Você pode cair do Anexo III para o V no meio do ano sem perceber.
- Contabilidade que não simula. O ajuste ótimo do pró-labore é um cálculo de equilíbrio (INSS a mais × Simples a menos). Isso se projeta, não se chuta.
Como cuidamos disso na prática
Para todo cliente de serviço no Simples, a rotina inclui monitorar o Fator R mês a mês e recalibrar o pró-labore quando o faturamento muda. É gestão tributária silenciosa: o cliente só percebe no imposto que não pagou.
Não sabe em qual anexo sua empresa está caindo? Essa resposta está na sua última apuração — e a gente lê isso em minutos. Fale com o Saulo.
Percentuais vigentes na data de publicação. Análise individual é indispensável.
Contador (CRC MG 132125/O), à frente do escritório desde 2015 em Uberlândia. Especialista em prestadores de serviço e pequenas empresas. Conheça a trajetória.
Esse é o seu caso?
Cada situação tem detalhes que mudam a resposta. A primeira conversa é sem compromisso.
