Primeiro funcionário: o passo a passo (e o custo real) da contratação
Quanto custa de verdade um funcionário, o que é o eSocial e a sequência certa para contratar sem dor de cabeça trabalhista.
Contratar o primeiro funcionário é um marco — o negócio deixou de caber só em você. Também é o momento em que a empresa entra de verdade no radar trabalhista. A boa notícia: com a sequência certa, é tranquilo. A má: improvisar aqui sai caro.
Primeiro, o custo real
A conta que importa não é o salário — é o custo total. Para um salário de R$ 2.000 no Simples Nacional:
| Item | Valor mensal aproximado |
|---|---|
| Salário | R$ 2.000 |
| FGTS (8%) | R$ 160 |
| Provisão de 13º | R$ 167 |
| Provisão de férias + 1/3 | R$ 222 |
| Vale-transporte (líquido do desconto) | variável |
| Custo total estimado | ~R$ 2.600–2.800 |
Empresas do Simples são dispensadas da cota patronal de 20% do INSS na maioria dos anexos — uma das grandes vantagens do regime. Regra prática: provisione ~35–40% acima do salário e você não terá sustos em dezembro (13º) nem nas férias.
O que é o eSocial (e por que você não deve temê-lo)
O eSocial é o sistema do governo que unifica todas as informações trabalhistas e previdenciárias: admissão, folha, férias, afastamentos, desligamento. Dois pontos importantes:
- A admissão deve ser registrada ANTES de o funcionário começar — até o dia anterior ao início. Deixar para "regularizar depois" é a infração mais comum e mais fácil de evitar.
- Todo evento da vida do contrato (férias, atestado, aumento, rescisão) passa pelo sistema, com prazos próprios. É exatamente o tipo de rotina que o escritório assume para você.
A sequência certa da contratação
- Defina função, salário e jornada — e confira o piso do sindicato da categoria na sua cidade (o piso vale mais que o mínimo nacional).
- Exame admissional (ASO) antes do início.
- Documentos do funcionário para o contador: RG/CPF, carteira de trabalho digital, PIS, comprovantes.
- Registro no eSocial até o dia anterior ao início.
- Contrato de experiência (até 45 + 45 dias) por escrito.
- A partir daí: folha mensal, holerite, FGTS e guias — rotina do escritório.
E se a pessoa "preferir sem carteira"?
Não existe acordo que proteja a empresa aqui. Verbalmente combinado hoje, ação trabalhista amanhã — com juros, multas e vínculo reconhecido de qualquer forma. Se o modelo CLT não fecha a conta, existem alternativas legais (jovem aprendiz, estágio, terceirização de serviços específicos, contrato intermitente) — cada uma com regras próprias. O caminho é desenhar, não improvisar.
Pensando em contratar? Traga a função e o salário pretendido — a gente devolve o custo total, o piso da categoria e o passo a passo prontos. Fale com o Saulo.
Valores aproximados na data de publicação; convenções coletivas variam por categoria e município.
Contador (CRC MG 132125/O), à frente do escritório desde 2015 em Uberlândia. Especialista em prestadores de serviço e pequenas empresas. Conheça a trajetória.
Esse é o seu caso?
Cada situação tem detalhes que mudam a resposta. A primeira conversa é sem compromisso.
